A vocacao da mulher
28 de setembro de 2017
Sharlie Macente
29 de setembro de 2017
Mostrar tudo

Daniela Gimenez

Durante a minha infância sempre escutei: – “Mulher não tem que depender de homem”. E assim que cresci e aprendi. Nascia dentro de mim uma mulher que lutava e lutou por muito tempo para ser independente.

Casei aos 18 anos e tive três filhos. Quando o meu segundo filho estava com seis anos trabalhava como uma louca para alimentar os meus prazeres, e não ajudava com nenhum centavo nas despesas da casa. Ignorava tudo e a todos, inclusive as crianças. Vivia um ritmo frenético, sem tempo pra nada, apenas pra o trabalho. Em casa tudo estava bagunçado, o meu relacionamento com meu esposo estava de mal a pior e os cuidados dos meus filhos eram deixados para os avós.  Tudo era feito pela metade e corrido. Logo fiquei grávida do meu terceiro filho, não estava esperando, fiquei assustada, preocupada e chorava muito, pois com dois filhos já estava difícil conciliar essa vida, imagine com três? Quem vai me ajudar? Passei por cima de tudo e de todos. Continuei trabalhando, não respeitava meus limites físicos e fui trabalhar até os últimos dias. Quando ele nasceu fiquei apenas três meses com ele, no quarto mês, o deixei com minha mãe e comecei novamente a vida louca que eu tanto buscava, vivia num profundo egoísmo, pensando apenas em mim. Não preciso nem dizer como estava o meu relacionamento com meu esposo, vocês já conseguem imaginar que não estava nada harmonioso. Não sei como consegui viver tudo isso. Minha filha era adolescente e o segundo estava com seis anos, o caçula com quatro meses, viviam todos largados, sem rotina, sem  minha supervisão e o meu amor, por mais que estivessem com minha mãe e com minha funcionária não é a mesma coisa quando está com a mãe. Sem contar que minha mãe se desdobrava para cuidar deles, enquanto eu satisfazia o meu ego.

Chegou então o previsto, eu e meu esposo já não nos suportávamos mais, as brigas aumentavam todos os dias, ele me cobrava, e eu o ignorava. Ficamos separados por 4 meses, meus filhos sofriam e eu pensava que logo eles iriam se acostumar com  a  vida de Pais separados. O que importava para mim era que eu não ia mais sofrer nenhum tipo de cobrança por parte dele, e não tinha mais que dar satisfação a ele.

Essa separação aconteceu quando meu caçula estava com três anos.

Meu esposo foi tão guerreiro que lutou tanto para que o nosso casamento fosse restabelecido, e com a graça de Deus voltamos, mas eu permanecia  com o coração duro. Começamos a participar frequentemente a Santa Missa e a rezar o terço de São José. Costumo dizer que São José foi o Pai que me mostrou como uma mulher deve ser no plano de Deus, me direcionou a um caminho desconhecido , o caminho que me levou até a Virgem Maria, onde aprendi ser Mulher, ela abriu os meus olhos e despertou em minha alma a vocação que antes estava adormecida, comecei a enxergar minha filha adolescente que estava indo pelo mesmo caminho, mergulhando no consumismo e egoísmo profundo, todas as vezes que tocávamos em assunto de casamento, a resposta era sempre a mesma: – Eu nunca vou me casar! Quero viver a minha vida! O meu segundo filho buscava todas as necessidades dele nos avós paternos, e não gostava de ficar em casa, ou seja, ele ficava onde estava recebendo amor e atenção.

Comecei a sentir um ardor em meu coração que devia largar tudo para cuidar e me dedicar exclusivamente aos meus. Assim aconteceu, renunciei o trabalho fora de casa, renunciei todas as vaidades que me escravizaram durante muito tempo, dediquei-me e dedico hoje todo o tempo que tenho para eles, preciso melhorar e rezar muito, perdi tempo demais e é necessário correr contra o tempo.

Com a graça de Deus durante esse tempo Deus cuidou deles por mim, sei o quanto errei por deixa-los e por isso não quero mais aumentar o buraco da minha ausência na vida deles.

Pergunte – me se estou feliz? Sim e muito! Hoje me sinto REALIZADA, porque encontrei a minha verdadeira vocação, antes vivia correndo atrás da felicidade e nunca a encontrei, e não ia encontrar onde estava procurando se não fosse pelas mãos de Nossa Senhora que me ensina todos os dias a recomeçar.