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3 de outubro de 2017
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3 de outubro de 2017
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Faculdade ou casamento?

“Tenho vocação matrimonial. Devo cursar ou não uma faculdade?”

O fato é este: a jovem já discerniu que tem vocação ao matrimônio e lhe surgiu a dúvida: cursar ou não a faculdade. Este artigo é o conselho que eu lhe daria.

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Uma jovem conheceu Jesus Cristo e se converteu. Quer agora viver o plano de Deus para sua vida. Quer ser feliz. Quer ser santa. Ela tem 18 anos e Deus lhe chamou para a vocação matrimonial e lhe colocou o desejo de ter uma família numerosa. Ela está confiante que Deus lhe dará o seu “José” e espera sem desespero. Mas ela recém terminou o ensino médio e lhe surgiu uma dúvida: “curso ou não uma faculdade enquanto espero o matrimônio? E depois de casada, como farei para conciliar as duas coisas: minha carreira e minha família?”

Ela tem um dilema e pede um conselho. É um dilema que veremos cada vez com maior frequência pois muitas moças estão tendo o seu encontro pessoal com Nosso Senhor e querem realmente fazer Sua vontade

A resposta para o dilema desta jovem vai depender da fé da pessoa que lhe aconselhará. Nós, seremos humanos (ao contrário dos animais que vivem por instinto), vivemos de acordo com aquilo que acreditamos, vivemos de acordo com a nossa fé. Nós, cristãos, devemos tomar nossas decisões a partir de princípios que temos em nossa consciência, cuja base são a nossa formação e a nossa fé.

Nós nascemos em uma geração na qual grande parte de nossas mães não tinham o dilema de “carreira e família”. A ida para o mercado de trabalho era, insconscientemente ou não, uma  “conquista” e avaliada como boa até mesmo por mulheres católicas, como minha mãe e tias, que não se definiriam jamais como “feministas”. De fato era simplesmente “fazer o que todas faziam”: iam trabalhar fora até que se casavam e…. bom… aí a coisa muda de figura.

Se nos últimos 50 anos a mulher devia fazer pela carreira qualquer sacrifício – desde soterrar o dom da maternidade ou ter triplas jornadas para tentar dar conta de tudo, hoje já se sabe (pelas experiências e pelas pesquisas) que o feminismo e suas conquistas se mostraram um aparente paradoxo: prometerem a liberdade mas tornou a mulher escrava:

Agora a mulher é escrava do sexo sem compromisso porque lhe deram a pílula; ela é escrava do corpo perfeito, porque tem o photoshop e a cirurgia; ela é escrava do trabalho porque tem que ser uma profissional de sucesso; no fim, ela é escrava da sociedade ateia e materialista que pauta direitinho as decisões que ela tem que tomar. E ai dela se não obedecer. Estou exagerando? Leia mais aqui. http://www.providaanapolis.org.br/index.php/todos-os-artigos/item/527-o-futuro-da-familia-passa-pela-mulher

A realidade é esta:

Ai da mulher que deseja ser Rainha do seu Lar: é tida como uma preguiçosa, vabagunda, burra, iletrada e louca.

Ai da mulher que quer ter muitos filhos: como vai deixar a carreira e os postos mais altos para… trocar fralda e amamentar e ainda ficar com barriga flácida?

Ai da mulher que quiser educar seus filhos na virtude e para o céu: deixe que a creche e a escola integral tome conta deles! Que perda de tempo ficar se gastando por estes pirralhos.

Eis porque a ignorância do que real significado do dom da maternidade está na raiz do maior drama da mulher moderna: “como conciliar carreira e família”. E esta é a tese do meu livro a ser lançado.

Ai, ai e ai da mulher que quer seguir o caminho de Deus, tal como está lá, no Evangelho, bem definido. Sim, a essência da vocação matrimonial não mudará jamais porque, mesmo que a sociedade muda a natureza humana – feminina e masculina – jamais mudará.

As mulheres que tem fé no feminismo não te dirão isso. Se você ler o livro da feminista do momento, Sheryl Sandberg, você escutará dela este conselho: “menina, pára com esta loucura de querer ser mãe, etc. Você Nem tem nem namorado! Isso pode demorar anos, décadas! E enquanto isso? Lean in! Vamos! Coloque metas: faça sua faculdade, abra seu consultório, crie uma clientela maravilhosa” e…. e…. e…. e falta ela concluir: “e depois que se casar viva como eu: me debatendo diariamente sobre as perdas no trabalho e no lar”. Sim, uma das mulheres mais poderosas do mundo (segundo os critérios mundanos), sofre o mesmo dilema da sua vizinha. Porque ela é mãe.

Então eu, que sou uma mulher que tenho fé em Deus (e não na ideologia) te digo isso: ser Rainha do lar, Esposa e Mãe Educadora (que não necessariamente está ligado a homeschool e sim à educação de virtudes) é algo tão, mas tão, mas tão, mas tão grande que só no céu vamos entender bem!

Mas nós podemos e devemos começar desde agora o seu estudo meditando, por exemplo, a alocução para as Mães do Santo Papa Pio XII na qual ele nos explica a grandeza da vocação de mãe de família e nos dá as diretrizes para a árdua missão da mãe de educar seus filhos na virtude: treino na primeira infância; treino do caráter, treino do coração; treino da mente; e treino na adolescência.

Isso a respeito da educação, além de todas as outras áreas que a administradora do lar deve estar preparada! Quanta preparação, conhecimento terórico e prático é preciso para cumprir esta missão de modo competente.

Enfim, quando Deus chama uma mulher para a vocação matrimonial (e isso já implica o desejo dela estar aberta para acolher uma família numerosa se for de Sua vontade) Ele sabe muito bem a missão divina e nobre que Ele está lhe dando. O que Ele pede é que ela se prepare, escutando as mestras de bons conselhos que lhe ensinarão sobre como viver sua vocação de modor pleno. (Titus 2,3-5).

O Papa Pio XII citando seu antecessor questiona porque dos engenheiros e arquitetos esperamos anos de estudo e dos futuros pais e mães deixamos eles totalmente despreparados para sua árdua missão?

Enquanto para o mundo é uma desvalorização a mulher casada ficar em casa na visão de Deus ela está no seu palácio, exercendo a maior e mais profunda influência nos filhos a ela confiados. Ela está apenas formando o homem e a mulher de amanhã. É pouco? Seu poder, escondido para o mundo, é mais eficaz que qualquer outro poder deste mundo. Basta olhar os presidentes que dominam as nações: quem foram suas mães? Souberam cumprir sua missão?

Para responder ao modernismo que anda muito preocupado com a participação da mulher nos assuntos políticos e sociais, a Igreja responde:

A mulher casada está muito ocupada: ela está cumprindo uma missão insubistituível e que seria uma tragédia (para sua família e para a humanidade) tirá-la de lá (disso já temos prova, certo?).

Mas existem mulheres solteiras que, por decisão pessoal ou pelas circunstâncais não se casaram nem se casarão. Elas, vivendo o celibato no mundo por amor a Nosso Senhor (sem votos religiosos de uma freira e sem família para cuidar), poderá se dedicar aos assuntos públicos e aos serviços na comunidade. E para isso – para esta missão que Deus mesmo a convoca – ela precisa estar bem preparada. E com tempo para se formar. E isso ela tem. A mãe de família não.

Isso quem disse foi o Santo Papa Pio XII. Não fui eu. Não é opinião pessoal. A Igreja não emite uma opinião, ela emite um conhecimento com autoridade dada pelo próprio Deus. Este ensino da Igreja é mais atual e mais urgente do que nunca.

Tudo isso está muito bem explicado e fundamentao pelo Papa Pio XII nesta alocução.  Leia, estudem, meditem e compartilhem.

Esta clareza das vocações femininas está ausente nos debates de hoje. A partir da vocação universal à santidade cada moça deve discernir qual o estado de vida que ela cumprir sua vocação de maternidade espiritual. Se dividir entre dois estados de vida é querer se frustrar. Por isso não é paradoxo a infelicidade da mulher moderna: ela quer ser tudo, quis ser igual ao homem, e agora não consegue ser nada bem feito. Está profundamente infeliz.

As ideologias querem forçar uma “conciliação entre carreira e maternidade” para a mulher casada mas a Igreja pede para que a mulher se re-concilie com sua vocação divina de mãe espiritual: no matrimônio se doando para sua família, como freira se doando para uma Comunidade Religiosa OU vivendo o celibato como mulher solteira no mundo, se doando para uma área do seu interesse no qual ela defenderá a verdadeira dignidade da mulher, da família e do matrimônio.

Ela deve estar “inteira” em qualquer uma destas vocações, e não pela metade. Isso pelo bem dela em primeiro lugar! E depois pelo bem daqueles que era irá cuidar, zelar, educar e amar.

Não há dilema a respeito da vocação quando a vivemos plenamente. Há luzes e cruzes no caminho, mas um coração dividido entre “carreira e família”, isto não há.

Sim, este é o ideal que a Igreja propõe para a moça católica. E nós estamos longe como geração de viver isso mas, se não o temos nem conhecido o ideal, quanto menos ele será vivido!

Por isso, proclamar esta boa notícia para a mulher e convidá-la para um sério e profundo discernimento lhe dará a possibilidade de acolher, sem divisões interiores, sua vocação (seja ela qual for) é possibilitar que as meninas experimentem a liberdade que as feministas prometeram, mas que só Deus pode dar.

Em vez de faculdades devemos prover centros de formação para as moças católicas e experiências, tanto em comunidades como em famílias. Como queremos reconstruir a sociedade caótica atual sem preparar os pais de amanhã?

Para preparar devidamente a mulher católica para sua missão a faculdade é nula. O Papa Pio XII fala de organizações que cuidavam disso e ajudaram ela a desenvolver seus talentos. É disso que carecemos hoje e devemos ser criativos para ajudar de fato as nossas irmãs.

Conheço poucas mestras de bom conselhos, mulheres que não querem dar simplesmente uma opinião pessoal mas ajudar a menina a discernir e a compreender de fato qual sua vocação e como vivê-la, a partir do Evangelho. Nossa vida deve estar pautada no Evangelho e não na vida da “maioria”.

No Brasil muitas mães estão começando a compartilhar seus apostolados como mãe de família e educadora, mas para indicar eu escolho duas mães que são dos EUA:

Uma é a Sra. Mary Pride. Começando pela leitura do seu livro “De volta ao Lar” a moça, se for dócil e contando com a graça de Deus e intercessão de Nossa Senhora de Nazaré, percorrrá uma jornada maravilhosa para ir de encontro com a plenitude da vocação.

Outra mestra de bons conselhos é a Sra. Teri Maxell, cujo site http://www.titus2.com/ é um  maravilhoso instrumento para nós. Uma mãe católica que faz um apostolado belo é a Rayhanne Zago cujo blog é Lírios entre Espinhos.

A única reserva que faço é que estas duas mães são, infelizmente, protestantes, e por isso não chegam à plenitude da feminilidade que é Nossa Senhora. Mas a experiência prática destas duas mães e o acesso fácil a este conhecimento muito nos ajudam.

Com alegria e esperança digo que está nascendo um nova geração de mulheres católicas na Terra da Santa Cruz e que logo também teremos uma plataforma católica que realmente possa ajudar e unir as moças que desejam viver o plano de Deus!

Ps: para as mães que vivem o dilema “carreira x família”; para as que se decidiram pela triple jornada, para as que são mães solteiras, etc. fica aqui minha sincera oração, a formação do site Felicidade Feminina e meu proximo e-book. Sinto a dor de muitas mães que gostariam de se dedicar inteiramente para sua família e não podem. Esta resposta foi dada especificamente para uma jovem moça que fez uma pergunta e se Deus quiser, ela não viverá.

Jesus, Maria, José, nossa família vossa é!